Universo das Cepas (parte 2)

Universo das Cepas (parte 2)

 

A vinha cultivada que conhecemos hoje tem como ancestral longínquo a “labrusca”, espécie de trepadeira que crescia em florestas, ao redor das árvores. Essa vinha selvagem ainda é visível em algumas regiões da Europa e da Ásia: a Áustria, os Bálcãs, Cáucaso e no Afeganistão. Reconhecer o histórico da cepa é entender como o vinho foi elaborado e dar mais valor as suas características.

 

Cepas livremente escolhidas ou impostas?

Ao longo do tempo, em cada região, as cepas se impuseram. É possível que, após mutações ou seleções locais, elas tenham se tornado originais; também é possível que tenham sido importadas  tenham encontrado um meio favorável. Na maior parte dos países europeus, quando a regulamentação vitícola foi estabelecida, essa situação foi homologada, sendo os tipos de vinhos, marcados por suas cepas, consagrados por uma denominação de origem.

Na Europa, essa escolha é enquadrada pela legislação: até 2009 não era possível plantar uma cepa em um lugar qualquer, e cada departamento francês tinha sua lista precisa de cepas “recomendadas” e “autorizadas”. Atualmente, cada Estado membro da União Europeia dispõe de um catálogo oficial com as variedades de uvas de mesa e de vinho, cuja plantação é livremente autorizada. Na França, são relacionadas 200 variedades de uvas de vinhos. Para produzir um vinho de denominação, a escolha da cepa é precisamente enquadrada por regulamentações que distinguem três categorias de cepas; principais, secundárias e acessórias.

Em outras partes do mundo, como na América do Norte, Austrália e Nova Zelândia , os produtores de uma dada região não são, de modo algum,  obrigados a utilizar tal ou qual cepa. Eles têm o direito de mencionar o nome da cepa no rótulo, o que só é autorizado na França em certos casos (ver abaixo). O Novo Mundo, com seus vinhedos constituídos principalmente de cepas importadas da Europa, não sentiu necessidade de preservar a tipicidade dos vinhos provenientes deste ou daquele terroir.

Menção da cepa no rótulo

O rótulo dos vinhos europeus de denominação raramente precisa o nome da cepa da qual é proveniente. Na França, a regulamentação interdita essa menção aos denominados de origem controlada (como no exemplo abaixo), exceto os vinhos da Alsácia, tal como o Riesling, que é, ao mesmo tempo, nome de cepa e de vinho. Entretanto, ela a tolera para os vinhos locais. Por isso alguns viticultores preferem a classificação aos vinhos locais em vez na categoria das origens controladas e mencionam o nome da cepa no rótulo, calculando que o vinho terá mais chances de ser identificado e apreciado pelo consumidor.

 

Cepas internacionais e cepas nativas

Vinhos da variedade Chardonnay e da Carbenet-sauvignon na Califórnia, da Caménère no Chile, da Syrah na Austrália...Certas cepas associadas aos grandes vinhos franceses clássicos, atravessaram fronteiras. Quando a viticultura se desenvolveu no Novo Mundo, os produtores utilizaram, naturalmente, as cepas europeias mais prestigiosas. Algumas deram poucos resultados satisfatórios, mas outras se adaptaram bem. Cultivadas em vastas extensões, elas deram novos vinhos, que obtiveram grande sucesso. A demanda aumentou, confirmando sua cotação, em detrimento de outras cepas de caráter frequentemente mais local.

A maior parte da produção mundial provém, entretanto, de cepas não clássicas. Estas podem ser cultivadas por respeito à tradição, por seu rendimento ou por sua adaptação à natureza dos solos e às condições climáticas locais. Mas a tendência mundial de privilegiar um punhado de uvas conhecidas coloca em perigo as cepas nativas. Estas, com suas características próprias, representam um material genético precioso e fazem vinhos de caráter original.

Saiba mais da origem das cepas resgatando a primeira parte dessa publicação que te deixa por dentro de tudo o que se faz nos vinhos da atualidade!